Carros autónomos em 2020? Olhe que não, olhe que não…

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020 Turbo Redação Turbo

Não foi assim há tanto tempo que os mais optimistas anteviam a chegada dos carros autónomos, já a partir de 2020. No entanto, chegados à data prometida, são vários os executivos a colocar água fria nas expectativas, apontando o dedo não só aos custos e à complexidade, como também à necessidade de responder primeiro a outros temas. Como, por exemplo, a eletrificação.

A última voz a proferir opinião sobre o tema foi o CEO da Volvo, Hakan Samuelsson, que, em declarações à Autonews Europe, veio reconhecer que o desenvolvimento do programa de carros autónomos revelou-se, afinal, “mais desafiante, tecnicamente falando, do que originalmente pensávamos…”.

Como tal, acrescenta Samuelsson, a marca sueca terá sempre “muito cuidado” no sentido de evitar lançar modelos que o público possa percecionar como autónomos, “quando, na realidade, não o são”.  Até porque isso pode transmitir aos condutores uma falsa sensação de segurança.

Tavares fala em muitos custos para poucos ganhos

A mesma postura cautelosa parece assumir, hoje em dia, a administração do grupo automóvel francês PSA, com o Carlos Tavares à cabeça.

Segundo o gestor português, “não vemos qualquer valor acrescido para o consumidor, a disponibilização de sistemas de apoio à condução acima do Nível 3, até por questões de acessibilidade. Acima desse nível, os custos sobem fortemente, sem que isso represente ganhos significativos para o utilizador”.

No entanto, acrescenta Tavares, tal não significa que os fabricantes tenham abdicado de apostar nos Níveis 4 e 5 de condução autónoma.

“Os níveis 4 e 5 prometem ser interessantes para aplicação, por exemplo, na condução partilhada, como é o caso dos autocarros e táxis sem condutor. São propostas de mobilidade partilhadas por muitos utilizadores, pelo que, podem ser mais caros de desenvolver. Por outro lado, serão utilizados em ambiente simplificados e vias dedicadas, além de sinalização simplificada”, afirmou o gestor português.

Carros autónomos podem vir a competir com aviões, diz Bentley

 Mas se, hoje em dia, a grande maioria dos responsáveis da indústria automóvel prefere adotar uma postura mais conservadora, no que diz respeito aos carros autónomos, também há quem, ainda assim, continue decidido a não deixar esmorecer o sonho. Como é o caso do CEO da Bentley, Adrian Hallmark.

Segundo este gestor, os veículos de transporte 100% autónomos não só serão uma realidade, como poderão, inclusivamente, substituir algumas ligações aéreas, dentro da Europa Continental.

“Imaginemos que, no futuro, será possível fazer médias de 322 km/h, de forma segura, em viagens de cerca de três horas. Até onde é que seria possível chegar? Praticamente a qualquer ponto da Europa!”, afirmou Hallmark.

Embora reconhecendo que será difícil conhecer esta realidade nos próximos tempos, principalmente devido às questões técnicas relacionadas, por exemplo, com o desafio que é manter uma velocidade elevada durante três horas seguidas, o CEO da Bentley não deixa de reconhecer que, carros totalmente autónomos, dificilmente serão viáveis, nas próximas décadas. Isto porque, “pelo menos da nossa perspectiva, não só continuarão a existir pessoas que gostam de conduzir, como estas continuarão a poder fazê-lo, durante muitos anos”.

Afirmação que, não temos dúvidas, soará como música para os ouvidos de qualquer apaixonado pelo prazer que só a condução consegue transmitir…

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