Crash-test inédito mostra que a segurança não é para todos

segunda-feira, 06 de abril de 2020 Turbo António Amorim Turbo

Crash-test inédito do Global NCAP mostra que a segurança não é para todos. Mesmo modelo, um usado europeu e outro novo africano. Resultado é, no mínimo, arrepiante!

Teste de colisão do Global NCAP demonstra dualidade de padrões de segurança para o mesmo produto, entre o mercado europeu e o africano. A dferença entre uma pick-up europeia usada e uma africana nova pode estar entre a vida e a morte.

Já se suspeitava que tal pudesse acontecer, tendo em conta os exigentes requisitos de segurança impostos pelas autoridades europeias, mas não de forma tão dramática.

O Global NCAP, organismo do qual faz parte o programa de avaliação de segurança europeu EuroNCAP, lembrou-se de fazer este crash-test inédito.

Pegou numa pick-up Nissan Navara NP300 vendida nova no mercado africano e numa unidade idêntica, mas usada, fabricada em 2015 e vendida no mercado europeu e realizou um duplo crash-test a 56 km/h. Os resultados são, no mínimo, surpreendentes.

A performance de segurança destas duas pick-ups faz a diferença entre a vida e a morte. Literalmente.

Na pick-up nova (de 2019), vendida em África, os ferimentos teriam sido fatais, enquanto o condutor da unidade europeia teria saído do veículo pelo seu próprio pé.

Na unidade africana o habitáculo deforma-se totalmente e o volante invade o espaço vital do condutor de forma evidente, o que teria obrigado a complicadas operações de desencarceramento.

Diferenças de equipamento e estruturais

Para além de estar equipada com o sistema anti colisão secundário e controlo de estabilidade, que a versão africana não tem, a pick-up europeia em segunda-mão revelou-se incomparavelmente mais segura que a “irmã” africana, comprovando que um veículo novo não é necessariamente mais seguro que um usado. Tudo depende do mercado para o qual foi produzido.

Carros usados importados de regiões com requisitos de segurança mais exigentes proporcionam mais segurança aos consumidores.

Recorde-se que a NP300 vendida na Africa do Sul já fora previamente testada pelo Global NCAP em 2018, com péssimos resultados. A estrutura do veículo cedeu e revelou-se instável durante o teste, ao ponto de tornar ineficaz o trabalho dos airbags. Os danos nos “dummies” demonstram o elevado risco de ferimentos fatais.

Testes anteriores já revelavam fragilidades e diferenças

Entretanto, a Navara NV300 europeia foi também testada pelo Euro NCAP em 2015, tendo obtido quatro estrelas na proteção dos ocupantes.

Neste vídeo, realizado em fevereiro de 2020, o CEO do Global NCAP, David Ward, explica-nos as diferentes consequências que um acidente teria nos ocupantes de um e outro veículo, comprovando que, para alguns fabricantes de automóveis, a segurança (ainda) não é para todos.

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