Hidrogénio. Uma solução para o futuro e com várias aplicações

sexta-feira, 01 de maio de 2020 Turbo Marco António Turbo

Considerado como o combustível do futuro, o hidrogénio ainda não é uma solução suficientemente sustentável para o futuro da mobilidade. Isso não impede que haja soluções interessantes como temos vindo a abordar. Neste artigo analisamos várias das aplicações em estudo.

HIDROGÉNIO PHEV
Trata-se de um modelo que conta tanto com uma pilha de combustível como com uma bateria com uma capacidade relevante para que faça sentido recarregá-la exteriormente (plug-in). É o caso do Mercedes GLC FCell, o Honda Clarity PHEV e o Audi A7 Sportback h-tron. A ideia é a mesma nos três exemplos: a bateria oferece capacidade para os percursos diários e potência para as acelerações mais intensas, enquanto que a pilha de combustível, combinada com um depósito criogénico com capacidade para armazenar 5 kg de hidrogénio proporciona uma autonomia ao redor dos 500 km. Esta solução permite usar uma pilha de combustível menos potente. A diferença compensa relativamente ao custo adicional da bateria que por ter pouca capacidade de armazenamento até nem tem de ser de iões de lítio. Esta combinação de soluções permite por outro lado reduzir os custos operativos ao mitigar o consumo de hidrogénio nos trajetos diários ao mesmo tempo que evita o gasto de gasolina ou diesel num híbrido plug-in com motor de combustão interna, como é o caso do Mitsubishi Outlander PHEV entre outros recentemente chegados ao mercado. Ainda que não tenhamos nenhuma bola de cristal para prever o futuro, pensamos que esta solução será, das várias aplicações, a mais lógica no futuro desenvolvimento dos veículos a hidrogénio

PILHA DE COMBUSTÍVEL COMO EXTENSOR DE AUTONOMIA
No caso de o preço da pilha de combustível não baixar como o esperado não é de todo descartável a construção de um veículo onde a pilha de combustível desempenhe o papel de extensor de autonomia como hoje é feito em muitos carros elétricos com motores de combustão mais pequenos. Não há muito exemplos desta solução, porém ela não é de todo descartável como mostra o Gumper Nathalie. Este é um conceito de veículo elétrico interessante dotado de quatro motores suficientemente potentes para garantir uma aceleração dos 0-100 km/h em apenas 2,5 segundos e de uma bateria com 60 kWh – o necessário para oferecer prestações que envergonham qualquer superdesportivo convencional. Quando a bateria começa a esgotar a sua capacidade, uma pequena pilha de combustível com cerca de 5 kW de potência permite percorrer até 600 km num ritmo moderado. Além disso e face às restantes aplicações, o Nathalie conta com um reformador de metanol que é um dispositivo que produz hidrogénio a partir do álcool, de maneira que não haja necessidade de abastecer o carro de hidrogénio numa rede externa.

HÍBRIDO DE HIDROGÉNIO SEM FUNÇÃO PLUG-IN
Estes são os carros a hidrogénio que conhecemos na atualidade, como o Honda Clarity, o Hyundai Nexo e o Toyota Mirai. Todos eles contam com uma pilha de combustível de potência similar ao do seu motor elétrico ao mesmo tempo que dispõem de uma pequena bateria de iões de lítio de apoio com cerca de 2kWh de capacidade. A missão da bateria é permitir um arranque instantâneo sobretudo em climas mais frios e armazenar alguma energia durante as travagens e maquilhar o atraso de entrega da potência da pilha de combustível. Este conceito tem três inconvenientes. O primeiro é que a potência máxima não é muito alta, o Hyundai Nexo é o mais potente dos três e não vai além dos 163 cv. O segundo inconveniente é que o custo por quilómetro depende exclusivamente do preço do hidrogénio e atualmente é muito elevado (o dobro de um diesel e à volta de 50 por cento da gasolina). Finalmente, não podemos carregar a bateria para completar uma viagem caso não estejamos perto de um posto de abastecimento de hidrogénio.

 

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